sexta-feira, 13 de março de 2009

ADORAÇÃO EUCARÍSTICA
(Chegada em silêncio. Após a chegada canta-se um refrão meditativo)

Canto Meditação: Jesus está aqui, ele está aqui...
Tão certo como o ar que eu, respiro (aleluia)
Tão certo como as manhãs que se levantam
Tão certo quanto eu te falo e podes me ouvir

MOTIVAÇÃO

Catequista: Todas as vezes que nos reunimos Ele está presente no meio de nós: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.” (Mt 18,20). Hoje somos convidados a estar com Jesus, a lhe fazer companhia por essa hora. Reunidos para este momento de oração e adoração do Cristo presente no Sacramento Eucarístico e abrindo-lhe o coração, pedimos por nós mesmos e por todos, pela paz e salvação do mundo. Oferecendo com Cristo toda nossa vida ao Pai.
Fiquemos em silêncio pensando porque hoje estamos aqui... (5 minutos)

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SAUDAÇÃO

Catequista: Estamos reunidos em nome do Pai, Deus de todos os povos e nosso criador. Em nome do Filho, Jesus, nosso Salvador e que tornou a nós todos, irmãos. E em nome do Espírito Santo do amor que nos conduz. Iniciemos esta hora louvando a Santíssima Trindade

CANTO: Santíssima Trindade
Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui (bis)
Para louvar e agradecer, bem dizer e adorar, estamos aqui Senhor, ao seu dispooooor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, te aclamar, Deus trino de amor.

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MOMENTO DE SILÊNCIO

Catequizando 1 - Obrigado, Senhor, por estar contigo, e por tua presença amorosa!

CANTO: Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Senhor, tua presença é amor.

Catequizando 2 - Obrigado por tua graça que dá sabor e sentido a meu viver, todo o meu ser te deseja, Senhor!

CANTO: Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Senhor, tua presença é amor.

Catequizando 3 - Tenho sede de ti, tenho grande vontade de estar mais vezes contigo, desejo muito te escutar, me deixar fazer; desejo me deixar, conduzir por tua graça, ser solidário como esse teu jeito criativo de marcar presença.

CANTO: Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Senhor, tua presença é amor.

Catequizando 4 - É bom estar Contigo, Jesus, aqui é um cantinho do Céu. Agora, eu quero minha vida entregar, vem encher a minha vida de amor.

CANTO: Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Senhor, tua presença é amor.

Catequizando 5 - Visita a minha casa, Jesus, e ensina a cada um a Te amar

CANTO: Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Jesus, tua presença é luz. Fica comigo Senhor, tua presença é amor.
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MOMENTO DE ORAÇÃO
Catequista: Senhor, Tu me conheces, sabes quando estou sentado e quando fico de pé. Conheces minha vida e também meu coração: Senhor, tu és bom! Para onde eu vou lá estás, Senhor! Se eu subir ao céu, se eu descer ao mar, lá estás, Senhor! Jesus nos diz: “Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.”

CANTO: Salmo 23 - Pelos prados e campinas
Pelos prados e campinas verdejante eu vou! É o Senhor que me leva a descansar. Junto às fontes de água pura, repousantes, eu vou! Minhas forças o Senhor vai animar!
Refrão: Tu és Senhor, o meu pastor! Por isso nada em minha vida faltará.
Nos caminhos mais seguros junto dele eu vou! E pra sempre o seu nome eu honrarei. Se eu encontro mil abismos no caminho eu vou! Segurança sempre tenho em suas mãos!
No banquete em sua casa muito alegre eu vou! Um lugar em sua mesa me preparou! Ele unge minha fronte e me faz ser feliz, e transborda em minha taça o seu amor.
Catequista: Façamos um momento de silêncio para deixar que estas palavras do salmo entrem em nós. (5 minutos)

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MOMENTO DE ORAÇÃO
Oração: Pai-Nosso (feito por um catequizando)

(Entrar um cartaz com imagem de Maria e 3 catequizandos acompanhados de velas acesas)

Catequista: Oh, Maria ensina-nos a ver Jesus!

Oração: 3 Ave-maria (1 ave-maria cada catequizando)

CANTO: Maria de Nazaré, Maria me cativou
Fez mais forte a minha fé
E por filho me adotou
As vezes eu paro e fico a pensar
E sem perceber, me vejo a rezar
E meu coração se põe a cantar
Pra Vigem de Nazaré
Menina que Deus amou e escolheu
Pra mãe de Jesus, o Filho de Deus
Maria que o povo inteiro elegeu
Senhora e Mãe do Céu

Ave - Maria (3X), Mãe de Jesus!

Maria que eu quero bem, Maria do puro amor
Igual a você, ninguém
Mãe pura do meu Senhor
Em cada mulher que a terra criou
Um traço de Deus Maria deixou
Um sonho de Mãe Maria plantou
Pro mundo encontrar a paz
Maria que fez o Cristo falar
Maria que fez Jesus caminhar
Maria que só viveu pra seu Deus
Maria do povo meu
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MOMENTO DE ADORAÇÃO

Catequista: Fiquemos de joelhos para mais um momento de contemplação e Adoração a Jesus Sacramentado.

Catequizando: É Teu esse momento de adoração
Não tenho nem palavras pra me expressar
No brilho dessa luz que vem do teu olhar
Encontro meu abrigo, meu lugar

E quando estamos juntos entre nós está
Passando em nosso meio a nos abençoar
E tocas com ternura com a tua mão
A cada um que abre o coração

Minhas mãos se elevam, minha voz te louva. O meu ser se alegra,
quando estou em tua presença, Senhor.

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MOMENTO DE ORAÇÃO
Oração: Pai-Nosso (feito por um catequizando)

(Entrar 3 cruzes, escrito em cada cruz uma das palavras: VIDA, AMOR e FÉ.)

Catequista: Com Maria, serva do Senhor e figura da Igreja, rezemos pelas maravilhas que o Senhor fez por nós por meio de Jesus Cristo.

Oração: 3 Ave-maria (1 ave-maria cada catequizando)

CANTO: Minha Luz é Jesus
1. Dentro de mim existe uma luz/ que me mostra por onde deverei andar./ Dentro de mim também mora Jesus/ que me ensina a buscar o seu jeito de amar.

Minha luz é Jesus. E Jesus me conduz pelos caminhos da paz. (bis)

2. Dentro de mim existe um farol/ que me mostra por onde deverei remar./ Dentro de mim Jesus Cristo é o sol que me ensina a buscar o seu jeito de sonhar.

3. Dentro de mim existe um amor/ que me faz entender e lutar por meu irmão./ Dentro de mim Jesus Cristo é o calor que acendeu e aqueceu pra valer meu coração.

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PRECES
Catequista: Queremos hoje louvar-vos e adorar-vos porque só vós sois o nosso Deus, e somos teus filhos. Queremos estar em contato, em harmonia, em diálogo, louvando e agradecendo pelo seu amor que nos salvou.
(entrar 5 corações de cor preta e 5 corações de cor vermelha escrito: AMOR, VIDA, SOLIDARIEDADE, PERDÃO E ESPERANÇA).

(Nos corações pretos deverão ser feito pedidos de perdão pela falta de AMOR, pela ameaça a VIDA, pela falta de SOLIDARIEDADE, pela falta de PERDÃO e ESPERANÇA. Nos corações vermelhos deverão ser feito preces: por mais AMOR, VIDA, SOLIDARIEDADE, PERDÃO e ESPERANÇA).

CANTO: Hino Campanha Fraternidade 2008
1. Com carinho, desenhei este planeta;
Com cuidado, aqui plantei o meu jardim.
Com alegria, eu sonhei um paraíso,
Para a vida do de amor que não tem fim.

Ponho, então, à tua frente
Dois caminhos diferentes:
Vida e morte, e escolherás.
Sê sensato: escolhe a vida!
Parte o pão, cura as feridas!
Sê fraterno e viverás.

2. Fiz o homem e a mulher à minha imagem;
Por amor e para o amor eu os criei.
Com meu povo celebrei uma Aliança.
O caminho da justiça eu ensinei.

3. Com tristeza vejo a vida desprezada,
Nos meus filhos e em toda a natureza.
Me entristece tantas vidas abortadas,
Dói em mim a violência e a pobreza.

4. Pelas margens desta vida há tanta gente
Que implora por justiça e dignidade.
Respeitar, cuidar da vida é o que te peço;
Vai! Transforma a tua fé em caridade!

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MOMENTO DE SILÊNCIO

Catequista: No silêncio do nosso coração vamos conversar com Jesus de amigo para amigo. (5 minutos)
Confiantes em Deus olhemos para o Sacrário e com muito amor vamos professar agora a nossa fé.
Oração: Credo

Catequista: (em pé) Gloriemos a Santíssima Trindade:
Catequizandos: Glória ao Pai, ao Filho e ao E.S como era no princípio, agora e sempre. Amém.

CANTO: Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar,
Pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar.
Venha a Fé, por suplemento os sentidos completar.
Ao eterno Pai cantemos e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaultemos na Trindade, Eterno Amor.
Ao Deus Uno, e Trino demos a alegria do louvor.
Amém, Amém.

Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar,
Pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar.
Venha a Fé, por suplemento os sentidos completar.
Ao eterno Pai cantemos e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaultemos na Trindade, Eterno Amor.
Ao Deus Uno, e Trino demos a alegria do louvor.
Amém, Amém.

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ORAÇÃO FINAL
Catequista: Senhor Jesus Cristo, neste admirável Sacramento nos deixastes o memorial de vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso corpo e do vosso sangue, que possamos colher continuamente os frutos da Redenção. Vós que viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém!
Catequista: Deus nos abençoe e nos guarde! Que Ele nos ilumine com a luz de sua face e nos seja favorável! Amém!
Catequista: Que Ele nos mostre o seu rosto e nos traga a paz! Que Ele nos dê a saúde da alma e do corpo! Amém!
Catequista: Nosso Senhor Jesus Cristo esteja perto de vós para nos defender. Esteja em vosso coração para nos conservar. Que Ele seja nosso guia para nos conduzir. Que nos acompanhe para nos guardar. Olhe por nós e sobre nós derrame sua bênção!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
CANTO: És meu tudo

Quero te agradecer, meu Senhor e meu Deus,
pelo sol, pela lua, as estrelas e o céu infinito,
pela chuva que cai fecundando a semente na Terra,
que será o nosso alimento, força pra viver.


Te agradeço, meu Deus, por nos dar o Teu Filho Jesus,
por nos dar Tua paz, Teu carinho e Teu amor sem fim.
Te agradeço por todo o carinho que tens por mim,
por meus pais, meus irmãos e amigos, Te louvo, Senhor.


És meu tudo, Senhor, Te agradeço, de verdade,
pois Tua graça, meu Deus, afinal... vive em nós. (2x)


E Tua graça... E Tua graça...
E Tua graça, meu Deus, afinal, vive em nós!
E Tua graça... E Tua graça...
E Tua graça, meu Deus, afinal, vive em nós!
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MOMENTO DE SILÊNCIO

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DESPEDIDA – lembrar do Encontro de Páscoa

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Que é a Páscoa?

O Que é a Páscoa?

O tempo pascal compreende cinquenta dias (em grego = "pentecostes"), vividos e celebrados como um só dia: "os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo" (Normas Universais do Ano Litúrgico, n 22).

O tempo pascal é o mais forte de todo o ano, inaugurado na Vigília Pascal e celebrado durante sete semanas até Pentecostes. É a Páscoa (passagem) de Cristo, do Senhor, que passou da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a páscoa também da Igreja, seu Corpo, que é introduzida na Vida Nova de seu Senhor por emio do Espírito que Cristo lhe deu no dia do primeiro Pentecostes. A origem desta cinquentena remonta-se às origens do Ano litúrgico.

Os judeus tinha já a "festa das semanas" (ver Dt 16,9-10), festa inicialmente agrícola e depois comemorativa da Aliança no Sinai, aos cinquenta dias da Páscoa. Os cristãos organizaram rapidamente sete semanas, mas para prolongar a alegria da Ressurreição e para celebrar ao final dos cinquenta dias a festa de Pentecostes: o dom do Espírito Santo. Já no século II temos o testemunho de Tertuliano que fala que neste espaço de tempo não se jejua, mas que se vive uma prolongada alegria.

A liturgia insiste muito no caráter unitário destas sete semanas. A primeira semana é a "oitava da Páscoa', em que já por irradiação os batizados na Vigília Pascal, eram introduzidos a uma mais profunda sintonia com o Mistério de Cristo que a liturgia celebra. A "oitava da Páscoa" termina com o domingo da oitava, chamado "in albis", porque nesse dia os recém batizados deponían em outros tempos as vestes brancas recebidas no dia de seu Batismo.

Dentro da Cinquentena se celebra a Ascensão do Senhor, agora não necessariamente aos quarenta dias da Páscoa, mas no domingo sétimo de Páscoa, porque a preocupação não é tanto cronológica mas teológica, e a Ascensão pertence simplesmente ao mistério da Páscoa do Senhor. E conclui tudo com a vinda do Espírito em Pentecostes.

A unidade da Cinquentena que dá também destacada pela presença do Círio Pascal aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Os vários domingos não se chamam, como antes, por exemplo, "domingo III depois da Páscoa", mas "domingo III de Páscoa". As celebrações litúrgicas dessa Cinquentena expressam e nos ajudam a viver o mistério pascal comunicado aos discípulos do Senhor Jesus.

As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão organizados com essa intenção. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, a história da igreja primitiva, que em meio a suas debilidades, viveu e difundiu a Páscoa do Senhor Jesus. A segunda leitura muda segundo os ciclos: a primeira carta de São Pedro, a primera carta de São João e o livro do Apocalipse.

O Círio Pascal

O Círio Pascal


É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascual como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado.

O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Omega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

Na procissão de entrada da Vigília se canta por três vezes a aclamação ao Cristo: "Luz de Cristo. Demos graças a Deus", enquanto progressivamente vão se acendendo as velas do presentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno à ele, depois de incensá-lo, o solene Pregão Pascal.

Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra a Deus, espalhando sua Luz: "aceita, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja te oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama viva para glória de Deus... Rogamos-te que este Círio, consagrado a teu nome, para destruir a escuridão desta noite".

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, ate´a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

Padres da Igreja

Padres da Igreja


"Não é grande coisa crer que Cristo tenha morrido; porque nisto também acreditam os pagãos e judeus e todos os inícuos: todos acreditam que ele morreu. A fé dos cristãos é na Ressurreição de Cristo; isto é o que temos como grande coisa, crer que tenha ressuscitado" (Santo Agostinho, Comentários sobre o salmo 120).

"A razão pela qual os discípulos tardarão em acreditar na Ressurreição do Senhor, não foi tanto por sua fraqueza como por nossa futura firmeza na fé; pois a própria ressurreição demonstrada com muitos argumentos aos que duvidavam, que outra coisa siginifica senão que nossa fé se fortaleça por sua dúvida?" (São Gregório Magno, Homilia 16 sobre os evangelhos).

"Depois da tristeza do sábado resplandece um dia feliz, o primeiro entre todos, iluminado com a primeira das luzes, já que nele se realiza o triunfo de Cristo ressuscitado" (São Jerônimo, comentário ao Evangelho de São Marcos 16).

"E dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. Nos quais viram claramente os vestígios dos cravos; e segundo São João, também mostrou-lhes o lado que havia sido aberto com a lança, para que, vendo as cicatrizes das feridas, pudessem curar as feridas de suas dúvidas. E não quis curar estes sinais; em primeiro lugar, para confirmar em seus discípulos a fé da ressurreição; em segundo lugar para poder mostrá-las a seu Pai quando intercedesse por nós, manifestando-lhe a classe de morte que por nós havia sofrido; em terceiro lugar, para demonstrar sempre aos redimidos com sua morte o grande amor que com eles empregou, apresentando-lhes os sinais de sua paixão; finalmente, para provar no dia do juízo a justiça com que serão condenados os ímpios" (São Beda, em Catena Aurea, vol. VI, p. 548).

"E havendo comido diante deles, tomou as sobras e as deu. Para demonstrar-lhes a veracidade de sua ressurreição, não só quis que seus discípulos lhe tocassem, como que dignou-se a comer com eles, para vissem que havia ressuscitado de uma maneira real, e não de um modo imaginário. Comeu para manifestar que podia, e não por necessidade: a terra sedenta absorve a água de um modo diferente de como a absorve o sol ardente; a primeira por necessidade, o segundo por potência" (São Beda, in Catena Aurea , vol. VI, p. 550).

"Páscoa do Senhor, Páscoa; digo isso pela terceira vez em honra da Trindade; Páscoa. É, para nós, a festa das festas, a solenidade das solenidades, que é superior a todas as demais, não só às festas humanas e terrenas, mas também às festas do próprio Cristo que se celebram em sua honra, assim como o sol supera a todas as estrelas" (São Gregório Nacianceno, Oração 45, 2).

"E entrando, não encontraram o corpo do Senhor. Não havendo encontrado o Corpo de Jesus, porque havia ressuscitado, eram agitadas por diversas idéias; e como amavam tanto ao Senhor e encontravam-se aflitas por sua desaparição, mereceram a presença de um anjo" (São Cirilo, in Catena Aurea, vol. VI, p. 524).

"Aproveitaram tanto os Apóstolos da Ascensão do Senhor que tudo o que antes lhes causava medo, depois converteu-se em gozo. Desde aquele momento elevaram toda a contemplação de sua alma à divindade sentada à destra do pai, e já não lhes era obstáculo a vista de seu corpo para que a inteligência, iluminada pela fé, acreditasse que Cristo, nem descendendo havia se afastado do Pai, nem com sua Ascensão havia se afastado de seus discípulos" (São Leão Magno, Sermão 74).

Catecismo da Igreja Católica

Catecismo da Igreja Católica


"Vos anunciamos a Boa Nova de que a Promessa Feita aos pais, Deus a cumpriu em nós, os filhos, ao ressuscitar Jesus" (At 13,32-33). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé em Cristo, crida e vivida pela primeira comunidade cristã como verdade central, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida nos documentos do novo Testamento, predicada como parte essencial do Mistério Pascal ao mesmo tempo que a Cruz: Cristo ressuscitou dentre os mortos.

Com sua morte venceu a morte. "Aos mortos deu a vida".

O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente comprovadas como o testifica o Novo Testamento. Já São Paulo, no ano 56, pôde escrever aos Coríntios: "Porque vos transmiti, em primeiro lugar, o que por minha vez recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado e que ressucitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas e depois aos Doze" (1Cor 15, 3-4). O apóstolo fala aqui da tradição viva da Ressurreição que recebeu depois de sua conversão às portas de Damasco (ver At 9,3-18).

"Por que buscar entre os mortos àquele que está entre os vivos? Não está aqui, ressuscitou (Lc 24,5-6). No marco dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que é encontrado é o sepulcro vazio. Não é em si uma prova direta, A ausência do corpo de Cristo no sepulcro poderia ser explicada de outro modo (ver Jo 10,13; Mt 28,11-15). Apesar disso, o sepulcro vazio constituiu para todos um sinal essencial. Seu descobrimento pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do fato da Ressurreição. No caso, em primeiro lugar, das santas mulheres (ver Lc 24,3.22-23), depois de Pedro (ver Lc 24,12). "O discípulo que Jesus amava" (Jo 20,2) afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir "as vendas no chão" (Jo 20,6) "viu e acreditou" (Jo 20,8). Isso supõe que constatou no estado do sepulcro vazio (ver Jo, 20,5-7) que a ausência do corpo de Jesus não poderia ter sido obra humana e que Jesus não teria voltado simplesmente a uma vida terrena como havia sido o caso de Lázaro (ver Jo 11,44).

Maria Madalena e as santas mulheres, que iam embalsamar o corpo de Jesus enterrado às pressas na tarde da Sexta-feira pela chegada do Sábado (ver Jo 19,31.42), foram as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os própios apóstolos (ver Lc 24,9-10). Jesus apareceu em seguida a eles, primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, chamado a confirmar na fé seus irmãos, vê portanto o Ressuscitado antes dos demais e sobre seu testemunho se apoia a comunidade quando exclama: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" (Lc, 24,34).

Tudo o que aconteceu nestas jornadas pascais compromete a cada um dos apóstolos -e a Pedro em particular- na construção da nova era que começou na manhã de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, os apóstolos são as pedras de fundação de sua Igreja. A fé da primeira comunidade de fiéis se funda no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, para a maioria, vivendo entre eles ainda. Estes "testemunhas da Ressurreição de Cristo" (ver At 1,22) são principalmente Pedro e os Doze, mas não somente eles: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu de uma só vez, além de Santiago e de todos os apóstolos (ver 1Cor 15,4-8).

Diante destes testemunhos é impossível interpretar a Ressurreição de Cristo fora da ordem física, e não reconhecê-la como um fato histórico. Sabemos pelos fatos que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e da morte na cruz de seu mestre, anunciada por Ele de antemão (ver Lc 22,31-32). A sacudida provocada pela paixão foi tão grande que (pelo menos, alguns deles) não acreditaram em seguida na notícia da ressurreição. Os evangelhos, longe de nos mostrar uma comunidade acometida por uma exaltação mística, nos apresentam os discípulos abatidos e assustados. Por isso não acreditaram nas santas mulheres que voltavam do sepulcro e "suas palavras pareciam desatinos" (Lc 24,11). Quando Jesus se manifesta aos onze na tarde de Páscoa, "jogou-lhes na cara sua incredulidade e sua dureza de cabeça por não ter acreditado nos que o tinham visto ressuscitado" (Mc 16,14).

Tão impossível lhes parece que, até mesmo colocados diante da realidade de Jesus ressuscitado, os discípulos ainda duvidam: crêem ver um espírito. "Não acabam de acreditar por causa da alegria e estavam assustados" (Lc 24,41). Tomé conhecerá a mesma prova da dúvida e, na última aparição na Galiléia referida por Mateus, "alguns entretanto duvidaram" (Mt 28, 17). Por isto a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um 'produto' da fé (ou da credulidade) dos apóstolos não tem consistência. Pelo contrário, sua fé na Ressurreição nasceu sob a ação da graça divina- da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado."

"Que noite tão ditosa -canta o «Exultet» de Páscoa-, só ela conheceu o momento em que Cristo ressuscitou dentre os mortos!". Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da Ressurreição e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pode dizer como aconteceu fisicamente. Menos ainda, sua essência mais íntima, a passagem à outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico demonstrável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, entretanto não por isso a Ressurreição seja alheia ao centro do Mistério da fé naquilo que transcende e ultrapassa ahistória. Por isso, Cristo ressuscitado não se manifesta ao mundo senão a seus discípulos, "aos que haviam subido com ele da Galiléia à Jerusalém e que agora são suas testemunhas perante o povo" (Hch 13,31).

"Se Cristo não ressuscitou, vã é nossa pregação, vã também vossa fé" (1Cor 15,14). A Ressurreição constitui principalmente a confirmação de tudo o que Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, inclusive as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua justificativa se Cristo, ao ressuscitar, deu a prova definitiva de sua autoridade divina segundo o havia prometido.

A Ressurreição de Cristo é cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus durante sua vida terrena. A expressão "segundo as Escrituras" (ver 1 Cor 15,3-4 e o Símbolo Niceno-Constantinopolitano) indica que a Ressurreição de Cristo cumpriu estas pregações.

Há um duplo aspecto no mistério pascal: por sua morte nos liberta do pecado, por sua Ressurreição nos abre o acesso a uma nova vida. Esta é, em primeiro lugar, a justificativa que nos devolve à graça de Deus "afim de que, assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos... assim também nós vivamos uma nova vida" (Rm 6,4). Consiste na vitória sobre a morte e o pecado e na nova participação na graça. Realiza a adoção filial porque os homens se convertem em irmãos de Cristo, como Jesus mesmo chama a seus discípulos depois de sua Ressurreição: "Ide, avisai a meus irmãos" (Mt 28,10; Jo 20,17). Irmãos não por natureza, mas por dom da graça, porque esta filiação adotiva confere uma participação real na vida do Filho único, a que revelou plenamente em sua Ressurreição.

Por último, a Ressurreição de Cristo –e o próprio Cristo ressuscitado- é princípio e fonte de nossa ressurreição futura: "Cristo ressuscitó dentre os mortos como primícia dos que dormiram... do mesmo modo que em Adão morrem todos, assim também todos reviverão em Cristo" (1Cor 15, 20-22). Na espera de que isto se realize, Cristo ressuscitado vive no coração de seus fiéis. Nele os cristãos "saboreiam os prodígios do mundo futuro" (Hb 6,5) e sua vida é transportada por Cristo ao seio da vida divina "para que já não vivam para si os que vivem, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2Cor 5,15).

Assim se vivia a Páscoa nos primeiros séculos

Assim se vivia a Páscoa nos primeiros séculos


Aqui se encontrarão uma série de textos, nos quais se mostram alguns traços significativos de como entendiam e viviam a Páscoa as primeiras gerações cristãs. São textos muito importantes para nós hoje, e uma ajuda esplêndida para respirar mais plenamente, já no terceiro milênio cristão, o ar fresco da fé na Resurreição de Cristo, primícia de nossa fé , fonte de esperança certeira e princípio inesgotável deste Amor que o mundo inteiro necessita mais que nada.

Com uma Pedra no Sepulcro

No dia 14 [do mês de Nisan] é a verdadeira Páscoa do Senhor, a grande imolação: no lugar do cordeiro, o Filho de Deus; Aquele que foi atado e, sem embargo, atou ao forte; que foi julgado, e é Juiz dos vivos e dos mortos; que foi entregue nas mãos dos pecadores para ser crucificado; que foi atravessado em seu santo lado, e fez brotar do mesmo o duplo banho da purificação: a água e o sangue, a Palavra e o Espírito; que foi sepultado no dia da Páscoa, com uma pedra fechando o sepulcro.

Apolinário de Hierápolis
(século II)

O Mistério do Batismo

Nos anos anteriores, o Senhor, celebrando a Páscoa, comeu o cordeiro pascal imolado pelos judeus. Mas uma vez que foi predicado o Evangelho, sendo Ele mesmo a Páscoa, o cordeiro de Deus, que era levado como ovelha ao matadouro, em seguida explicou aos discípulos o mistério destas imagens, e isso no dia 13 [de Nisan], quando lhe perguntam: Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa? Era o mesmo dia em que se celebrava a santificação dos ázimos e a preparação da festa. Por isto são João descreve neste dia o lavatório dos pés dos discípulos, que o Senhor realiza justamente como preparação. Foi pois, no dia seguinte que nosso Senhor morreu, sendo Ele mesmo a Páscoa imolada pelos judeus.

Por isso no dia 14 [de Nisan], no dia da sua morte, a primeira hora da manhã, tendo sido conduzido a Pilatos, os sumos sacerdotes e os escribas não entraram no pretório para não contaminar-se e poder assim comer a Páscoa, pela tarde, sem impedimentos. Com este preciso cálculo de dias que concordam todas as Escrituras e os evangelhos em plena harmonia. Também o confirma a ressurreição; ressuscita no terceiro dia, que corresponde ao primeiro dia [da festa judaica] das Semanas da colheita, quando estava prescrito que o sacerdote oferecesse uma face.

Escuta o que diz o profeta; O Senhor nos ressuscitará depois de dois dias e ao terceiro dia, ressuscitados, viveremos em sua presença. O primeiro dia é para nós a Paixão do Salvador; o segundo, o do seu descenso ao lugar dos mortos; o terceiro é o dia da ressurreição. Se o apóstolo são Paulo nos ensina que nestas palavras se esconde o mistério do batismo, é necessário que aqueles que são batizados em Cristo sejam batizados em sua morte e sejam também sepultados com Ele, e com Ele ressuscitem da morte ao terceiro dia. Quando, portanto, tu tenhas recebido o mistério do terceiro dia, então Deus começará a guiar-te e a mostrar-te o caminho da salvação.

Orígenes
(Século III)

Vitória sobre a Morte

A Páscoa verdaeira é a abstinência do mal, o exercício da virtude, e o passo da morte à vida. Isto é o que se aprende da imagem antiga. Então se esforçavam por passar desde Egito a Jerusalém; agora nós nos esforçamos por passar da morte à vida. Então, do Faraó a Moisés; agora, do diabo ao Salvador.

Jejuamos pensando na morte, para poder depois viver. Vigiamos sem tristeza, porém como gente que espera o Senhor que volta ao banquete, para encontrar-se novamente entre nós e anunciar quanto antes o sinal da vitória sobre a morte.

Santo Atanásio
(Século IV)

A Pão e Água

Os seis dias da Páscoa transcorrem para todos a base de comer apenas pão, sal e água, ao entardecer. Os mais piedosos prolongam o jejum até dois, três e quatro dias, e alguns toda a semana até o cantar do galo, ao depontar o domingo, vigiando todos os seus dias e celebrando as assembléias nos seis dias e toda a Quaresma, da hora nona a das vésperas. Em alguns lugares se realiza vigília na noite que segue a feira quinta, até o despontar da Páscoa, e na noite do domingo.

São Epifânio
(século IV)

"Como entre nós"

No sábado se prepara a vigília pascal na igreja maior, isto é, no Martyrium. A vigília pascal se desenvolve como entre nós; ademais, aqui só se dá o fato que os neófitos, uma vez batizados e posta a vestidura branca, são conduzidos em seguida, apenas saídos da fonte, à Anástase (lugar da celebração eucarística), junto com o bispo. O bispo ultrapassa as portas da Anástase; recita um hino e o bispo pronuncia uma oração para eles; logo retorna com eles à igreja maior, onde o povo está em vigília. Aqui se faz o mesmo que entre nós e, depois da oblação, tem lugar na despedida. Depois da despedida, que segue à vigília na igreja maior, imediatamente, ao canto de hinos, somos conduzidos a Anástase. Aqui se lê novamente a passagem evangélica da ressurreição, faz-se uma oração e o bispo repete a oblação. A vigília conclui naquele dia na mesma hora que entre nós.

Do Itinerário a Egeria
(século IV)

"Meus irmãos e senhores"

Estes dias, como todos sabem, nós celebramos a Páscoa, e neles se canta o Aleluia. Devemos, no entanto, irmãos, prestar muita atenção para compreender com a alma aquilo que celebramos visivelmente. Páscoa é uma palavra hebraica que significa passagem; em grego [soa] pásjein, padecer, e em latim pascere, no sentido com o qual se diz: Apascentarei aos amigos. Quem é o que celebra a Páscoa senão aquele que passa da morte para a vida porque amamamos os irmãos? Quem é o que celebra a Páscoa senão quem crê n 'Aquele que padeceu na terra, para reinar com Ele no céu? Quem é o que celebra a Páscoa senão quem apascenta nos irmãos a Cristo? Ele, com efeito, disse sobre os pobres: Quem tenha feito algo a um dos meus menores, a mim me fez. Cristo está ascendido no céu e é indigente na terra; interpela ao Pai por nós e aqui embaixo pede o pão desde nós. Por isto, meus irmãos e senhores, se queremos celebrar uma Páscoa saudável, passemos dos pecados à justiça, padeçamos por Cristo, apascentemos nos pobres a Cristo.

"Nos anos anteriores, o Senhor, celebrando
a Páscoa, comeu o cordeiro pascal imolado pelos judeus. Mas uma vez que pregou
o Evangelho, Ele mesmo se converteu
no Cordeiro de Deus"

"Quem é o que celebra a Páscoa
senão quem crê n'Aquele que padeceu na terra, para reinar com ele no céu?"

Santo Agostinho
(século IV)

Páscoa: O Senhor está no meio de nós!

Páscoa: O Senhor está no meio de nós!


Páscoa: O Senhor está no meio de nós!

No Tempo Pascal nós lemos o livro dos Atos dos Apóstolos, como a primeira leitura da Missa semanal e dos Domingos Festivos. O tempo Pascal nos coloca diante do mistério do Cristo Ressuscitado dos mortos, do Cristo vencedor da morte e do pecado, que nos convida a contemplarmos a sua vitória, que é a vitória de todos aqueles que são cristãos: configurados no Cristo pela sua morte e gloriosa ressurreição. Assim nos é preparada a possibilidade, se vivermos o mandamento novo, o amor a Deus e aos irmãos, para sermos dignos de termos o mesmo destino do Cristo Ressuscitado, a vida eterna.

Por isso quatro são as características dos seguidores de Cristo, que são todos os batizados, e que se intitulam de cristãos:

* Permanecer na Doutrina dos apóstolos;
* A comunhão fraterna;
* A fração do pão;
* A oração.

Neste sentido nos ensina a leitura de At 2, 42: “Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações”.

Neste sentido gostaria de trazer um fio condutor para estes cinqüenta dias que vão desde a Vigília Pascal até a Festa de Pentecostes:

1. Seguir os ensinamentos dos Apóstolos. Os Apóstolos dão testemunho do que viram, do que ouviram e do que testemunharam do Cristo. Jesus passou a sua vida neste mundo fazendo o bem, curando os doentes, concedendo a vista ao cego, curando o coxo, extirpando a lepra, retornando a vida anterior a Lázaro, o morto; e pregando a misericórdia e o perdão dos pecados, pela adesão ao seu Evangelho. Os apóstolos dão ao mundo testemunho destas verdades e nos pedem uma adesão profunda ao que Cristo nos deixou: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (Cf. Jo 13, 34). Assim “Ao mesmo tempo, Cristo confiava-lhes ainda a missão e o poder de explicarem com autoridade aquilo que ele havia ensinado, suas palavras e seus atos, bem como seus sinais e seus mandamentos. E dava-lhes o Espírito Santo, a fim de realizarem tal missão” (Cf. Catechesi Tradendae nº 1). Não um amor individualista ou orgulhoso, nem muito menos de auto-suficiência. Nós devemos amar aqueles que nos perseguem; aqueles que nos caluniam; aqueles que são pedra de tropeço no nosso caminho. Amar sem limites, amar por caridade e reconhecer no outro, no próximo, o próprio Cristo.

2. Comunhão fraterna: a comunhão fraterna é a nota fundamental dos cristãos. Nós não podemos ser seguidores de Cristo sozinhos, isolados, como nos diz o saudoso Papa Paulo VI : “Evangelizar não é um ato individual e isolado, ma profundamente eclesial. Nenhum evangelizador é senhor absoluto de sua ação evangelizadora...mas deve estar em comunhão com a Igreja e seus pastores” (Cf. Evangelii Nuntiandi nº 60). Estamos inseridos dentro de uma comunidade, chamada comunidade eclesial, a Igreja, na qual somos chamados a partilhar e colocar tudo em comum, os nossos dons, as nossas alegrias, as nossas esperanças, e, também, as nossas dificuldades. A comunhão fraterna é colocar nossos dons em comum: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”(Cf. At, 2, 44-47).

3. A fração do pão. Pela Eucaristia nós nos encontramos verdadeiramente como irmãos em Cristo. A Eucaristia é aquele dom maior que Cristo nos deu na Quinta-feira Santa, ao instituir o mandamento novo do amor, como nos fala o Documento de Aparecida: “Essa realidade se faz presente em nossa vida por obra do Espírito Santo, o qual também nos ilumina e vivifica através dos sacramentos. Em virtude do Batismo e da Confirmação, somos chamados a ser discípulos missionários de Jesus Cristo e entramos na comunhão trinitária da Igreja. Esta tem seu ponto alto na Eucaristia, que é princípio e projeto da missão do cristão” (Cf. DA 153), e ainda: “Assim, pois, a Santíssima Eucaristia conduz a iniciação cristã à sua plenitude e é como o centro e fim de toda a vida sacramental” (Cf. Sacrossantum Concilium nº 17). Só aqueles que amam e acolhem o diferente, do santo ao pecador, podem participar do banquete nupcial do Cordeiro. Não a celebração ritual da Páscoa judaica, em que se sacrificava o cordeiro novo, sem defeito, e untava as portas de sua casa, para que o anjo exterminador não matasse o primogênito. Mas o Cordeiro novo, que morre para nos vida, o Cordeiro de Deus, Jesus, redivido, que tirou e tira todo o pecado do mundo pela sua ressurreição (Cf. Jo 1, 29).

4. A oração. Todos nós sabemos que Jesus nos deixou uma única oração: o PAI-NOSSO. No Pai Nosso nós rezamos ao Pai que está nos céus, por quem queremos declarar que o seu nome é santificado, pedindo que venha o seu reino e que não seja feita a minha vontade, mas a vontade Dele, o Redentor e Salvador, na terra e no céu. O pão nosso de cada dia que hoje nos daí, nos ajuda a perdoar as nossas ofensas, da mesma maneira como nós devemos perdoar a quem nos ofende, a quem nos persegue, a quem nos machuca no corpo e na alma. Uma oração que nos ajuda a fugir do pecado e do mal e nos livra da tentação e do tentador, o inimigo, que bate a nossa porta.

Que estas quatro notas características de Jesus nos ensinem a sermos verdadeiramente autênticos discípulos-missionários de Jesus Ressuscitado, fazendo de nossa vida, como a Páscoa e o mistério cristão, um grande domingo, o dia do Senhor, para o qual nossos esforços, nossa vida e no agir sempre se voltam, “porque não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim”(Cf. Gl 2,20), Amém!

P e. Wagner Augusto Portugal.
Vigário Judicial da Arquidiocese de Juiz de Fora(MG)